CE: Selo Agricultura 100% Familiar incentiva os produtores

Data de Publicação: 
08/01/2012 - 22:08

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Iguatu/CE

A produção agropecuária de base familiar do sertão cearense começa a ser certificada. Nos últimos dias, produtos com o selo Agricultura 100% Familiar ganharam mais espaços nas prateleiras de mercadinhos, no Interior.

O futuro parece promissor e a expectativa é alcançar as compras governamentais de prefeituras e do Governo do Estado, promovendo a tão sonhada geração de emprego, permanência de jovens no campo e ampliando renda de pequenos produtores rurais.

Em dezembro último, a Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA), em parceria com o Instituto Agropolos, lançou os primeiros 30 selos da Agricultura 100% Familiar. Foram beneficiadas associações comunitárias e produtores individuais em várias regiões do Ceará.

O Município de Icó obteve 20% dos selos. O resultado foi comemorado como boa notícia para o início de 2012. "Quem foi certificado está otimista, animado e acreditamos que esse selo vai trazer enormes benefícios para o setor", disse o secretário de Agricultura do Município, Mailton Bezerra.

Ganhadores

Os empreendimentos contemplados pelo selo foram: Associação dos Apicultores de Icó (mel em sachê e pote), Colônia de Pescadores Z-27 de Lima Campos (bolinha e filé de peixe), Associação de Produtores de Leite do Conjunto Pedrinhas (iogurte), Associação de Produtores do Conjunto Alfa (arroz) e Associação de Produtores do Conjunto Gama (arroz e goiaba). O produtor César Nogueira (iogurte e queijo) também recebeu o selo.

"Com essa conquista, vamos ampliar as vendas governamentais para a merenda escolar, ampliando emprego e a renda no campo", prevê Mailton Bezerra. Atualmente, os produtores já vendem grande parte da produção para programas governamentais como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

A Associação dos Apicultores de Icó teve um desenvolvimento considerável em 2011. A unidade passou a produzir mel em sachê e ganhou o mercado regional. O setor é mais uma opção econômica para os agricultores e tornou-se referência na região Centro-Sul. O crescimento é resultado de parceria com a Secretaria de Agricultura do Município e o Centro Vocacional Tecnológico (CVT) de Icó.

Já o produtor rural César Nogueira, com a ajuda da esposa e dos filhos, ampliou a produção de iogurte e de queijo, na zona rural de Icó. Com qualidade, conquistou o mercado local. Investiu R$ 25 mil em equipamentos e sonha em produzir creme e requeijão. O produtor trabalha das 5h às 22h, mas mostra-se satisfeito. "Nós queremos crescer, gerar mais emprego", disse. Nogueira produz três mil litros de iogurte e 330 quilos de queijo por mês.

 

Expectativa

O tesoureiro da Associação dos Produtores de Leite do Conjunto Pedrinhas, Antônio Oliveira Filho, disse que o grupo recebeu com alegria a notícia da certificação. A unidade, que está em expansão, começou em 2008 apenas com a atividade de aquisição de leite in natura, mas, hoje, produz iogurte que é vendido para a merenda escolar e para a Conab. "O nosso sonho é tirar o atravessador, não vender leite, mas transformá-lo, agregando valor ao produto", disse.

"Estamos satisfeitos com o selo e acreditamos que as vendas vão melhorar", destacou o presidente da Colônia de Pescadores Z-27, de Lima Campos, Antônio Muniz de Carvalho. Em 2010, o grupo, que reúne 30 pescadores, adquiriu uma mini-fábrica de gelo e ampliou a produção de filé e bolinha de peixe de tilápia, tucunaré e pescada.

O presidente da Associação de Produtores de Arroz do Conjunto Alfa, Antônio Barbosa, observa que os Municípios devem cumprir determinação legal de adquirir pelo menos 30% da produção da agricultura familiar. "O selo deve facilitar a comercialização, mas é necessário tirar o atravessador, que impõe um preço reduzido", salienta.

Certificação garante qualidade

Iguatu. Cerca de 70% dos alimentos consumidos no dia-a-dia são oriundos da agricultura familiar, mas boa parte da população não se dá conta do alcance e da importância desse tipo de produção para a geração de renda entre as comunidades rurais. Pela primeira vez, o Governo do Estado, por meio do Instituto Agropolos, certifica esses produtos. Criado e lançado em dezembro último, o selo Agricultura 100% Familiar, deverá ajudar o consumidor a identificar os produtos que vêm de uma unidade de base familiar.

Além de facilitar a identificação do produto pelo consumidor, o selo traz a origem do produto e agrega valor. "É uma forma de dar garantia de qualidade, promover e valorizar a agricultura familiar e aumentar a renda no campo", disse o secretário de Desenvolvimento Agrário, Nelson Martins. "O nosso objetivo é fortalecer a agricultura familiar e o nosso desafio é aumentar a produção dos pequenos produtores para atender à demanda que é crescente".

O titular da SDA destaca um conjunto de ações que visam ao fortalecimento da agricultura familiar, a partir da ampliação da assistência técnica, comercialização por compras governamentais, concessão de crédito e de equipamentos de irrigação, dentro dos projetos Quintais Produtivos, para cerca de dez mil famílias, no decorrer neste ano.

A certificação garante que a produção, além de ser da base familiar, não degrada o meio ambiente, não envolve trabalho infantil e é feita dentro de condições de higiene na manipulação dos produtos e de sanidade animal. "São critérios mínimos para a certificação", observa o coordenador de Programas de Acesso ao Mercado, do Instituto Agropolos, Airton Cruz.

Atualmente, o Instituto Agropolos concedeu 30 selos, mas 120 pedidos estão em análises e há, no total, 320 cadastrados. "A ideia é ampliar a concessão desses selos, beneficiando mais associações ou produtores individuais", explica Cruz.

O selo é uma ação do Instituto Agropolos, em parceria com a SDA, a Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Ceará, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ematerce), a Agência de Defesa Agropecuária (Adagri) e o Ministério do Desenvolvimento Agrário.

O selo tem logomarca registrada no Instituto de Marcas e Patentes e permite ser rastreado com base em dados do CNPJ da associação produtora ou CPF do produtor. "Vamos fazer campanhas publicitárias, de divulgação do selo e dos produtos da agricultura familiar", informa Cruz. "Os produtores interessados devem procurar o Instituto Agropolos na região, escritórios da Ematerce ou as secretarias de Agricultura de seu Município".

 

Honório Barbosa

Fonte: Diário do Nordeste